O presidente Jair Bolsonaro, apesar de não ter inicialmente compromissos oficiais neste fim de semana, realizou várias reuniões com seus ministros mais próximos, que ficam no Palácio do Planalto, logo pela manhã deste domingo (21/7).
A agenda de compromissos teve início antes das 8h da manhã, no Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência da República. Logo às 7h40, o chefe do Executivo recebeu o ministro chefe da Secretaria de Governo da Presidência, Luiz Eduardo Ramos.
Na sequência, a reunião foi ampliada com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança (GSI), Augusto Heleno e se estendeu até às 9h. O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, teve uma audiência na sequência com Bolsonaro logo depois, entre às 9h20 e às 9h40.
As informações foram divulgadas pela assessoria de imprensa da Presidência, após os encontros, sem comentários sobre a pauta das reuniões. O último compromisso da manhã do presidente foi um evento religioso: “Celebração Internacional 2019 — Conquistando pelos olhos da Fé”.
No sábado (20/7), o presidente também teve uma agenda inusitada, pois resolveu sair do Alvorada e participar da Capital Moto Week, na Granja do Torto, e tirou várias fotos com populares. No evento, ele criticou os governadores do Nordeste e a imprensa.
Rede social
Por meio do twitter, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou, mais uma vez, sobre a polêmica envolvendo sua fala sobre nordestinos. Na rede social, o chefe do Palácio do Planalto negou que tenha usado o termo “paraíba” para se referir ao povo da região e disse que a frase que falou reservadamente ao chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi: “Daqueles governadores… o pior é o do Maranhão”.
Bolsonaro afirmou que não fez crítica ao povo nordestino e os chamou de “meus irmãos”. No texto divulgado na internet neste domingo (21/07/2019), o presidente ainda ataca: “Mas o melhor de tudo foi ver um único general, Luiz Rocha Paiva, se aliar ao PCdoB de Flávio Dino, para me chamar de antipatriótico.”
O general da reserva, Luiz Rocha Paiva, integrante da Comissão da Anistia, disse que o comentário é “antipatriótico” e “incoerente”, segundo o. “Sem querer descobrimos uma melancia, defensor da Guerrilha do Araguaia, em pleno século XXI”, disse o presidente, pelas redes sociais
Processo
Alvo do presidente Jair Bolsonaro em declarações feitas nessa sexta-feira (19/07/2019), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), declarou à revista Época que estuda acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para denunciar o pesselista por racismo. Em áudio vazado, Bolsonaro usou o termo “paraíba”, considerado preconceituoso e ofensivo, para se referir aos gestores nordestinos.
Bolsonaro chamou Dino de “o pior” dos “governadores de ‘paraíba’”. “Não tem que ter nada com esse cara”, disse em conversa informal com o ministro Onyx Lorenzoni, no começo do café da manhã com jornalistas estrangeiros. Dino, em resposta, classificou as declarações como criminosas. “Configura um crime, previsto na lei que trata de racismo”, afirmou, em entrevista ao jornalista Guilherme Amado.
Repercussão
No sábado (20), Bolsonaro relativizou a polêmica e disse que se tratou de “uma crítica em três segundos” e que a imprensa “fez uma festa” com a declaração. Ainda afirmou: “Eles, os governadores, são unidos. Eles têm uma ideologia, perderam as eleições e tentam o tempo todo por meio da desinformação manipular eleitores nordestinos”, disse, ao deixar o Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência da República.
As falas do presidente ressoaram no mundo político. Ciro Gomes (PDT) repudiou essa e outras declarações do presidente, chamando-o de “Magda das milícias”, em referência ao bordão da série de comédia Sai de Baixo. A cantora Alcione, maranhense, gravou um vídeo falando que o pesselista precisa respeitar o estado, os nordestinos e os brasileiros.
Em nota coletiva, governadores do Nordeste repudiaram a postura do pesselista. “Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia”, diz o comunicado.

